segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Retratos da solteirice, neste 15 de agosto

Neste dia 15 de agosto comemora-se o dia das pessoas solteiras. A solteirice como uma condição experienciada por quem está solteiro/a, tem sido estudada com intuito de dar visibilidade a esta condição que, apesar de ganhar uma conotação mais positiva na sociedade, ainda enfrenta desafios em uma "cultura de casais". 

O estudo mais recente sobre o tema desenvolvido na UFBA, com auxílio do PIBIC/FAPESB (2015-2016), conta com a coordenação da profa. Dra. Darlane Andrade (Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo) e com as estudantes bolsistas Aline Pinheiro, Samara Amorim e da voluntária Irani Silva (todas do curso de Psicologia da UFBA). A pesquisa objetiva conhecer as vivências socioafetivas de pessoas solteiras, pertencentes à nova classe média e que moram sozinhas em Salvador. 

Cada vez mais comum na contemporaneidade, mas ainda pouco estudada, a solteirice emerge de um conjunto de transformações de cunho social, cultural, econômico e comportamental que vem se sucedendo ao longo dos anos, impactando nas configurações das relações amorosas, familiares e nas vivências sociais em geral (ANDRADE, 2012). 

Para estudar o tema, aplicamos questionários e realizamos entrevistas com homens e mulheres solteiros/as que moram só em Salvador. A solteirice foi representada também por imagens para solteiros e solteiras entrevistadas, reportando aos aspectos da liberdade, do descompromisso e da solidão que esta condição traz para estas pessoas:


 “Você não fica catando cabelo no ralo todos os dias, você não lava o banheiro a cada 3 dias, você lava no final de semana! [...] Acho legal essa falta de compromisso até com as suas atividades de casa e pra mim representa a solteirice também”. (solteiro, 25 anos, homossexual)






“A imagem representa leveza, liberdade de movimentos, falta de pudores, um lugar que me permite flutuar e me sentir à vontade.” (solteira, 31 anos, heterossexual)






“ (a imagem) simboliza todos os julgamentos que sinto por morar só e ter mais de 30” (solteira, 32 anos, heterossexual)






As diferentes vivências da solteirice para homens e mulheres que moram sozinhos/as representa a complexidade do fenômeno, merecendo atenção em estudos acadêmicos. E o dia dos/as solteiros/as merece ser lembrado para valorização desta condição vivida por milhares de brasileiros/as!

Referência: 

ANDRADE, Darlane S.V. A “solteirice” em Salvador: desvelando práticas e sentidos entre adultos/as de classes médias. Tese. Doutorado em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo. Salvador: Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2012







quinta-feira, 26 de maio de 2016

Próxima pesquisa: o uso de tecnologias da comunicação por solteiros/as em Salvador

A profa. Dra. Darlane Andrade (BEGD/NEIM/UFBA0, seleciona 2 (dois) bolsistas para atuarem no projeto contemplado no edital PROPCI/UFBA 01‐2016 – PIBIC: “A SOLTEIRICE EM ESTUDO: O USO DE TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO POR SOLTEIROS/AS EM SALVADOR”, cujo objetivo principal é explorar opiniões e práticas em torno da sexualidade mediadas por aplicativos para smartphones (como tinder, happn e grindr) com esta finalidade, utilizados por homens e mulheres solteiros/as de diferentes orientações sexuais, em Salvador. 

As inscrições serão feitas com encaminhamento dos seguintes documentos para o emaildarlane.andrade@ufba.br até o dia 29 de maio de 2016, domingo, às 8:00h da manhã:
1.Carta manifestando o interesse e as razões que a/o levam a participar do processo seletivo, além de justificar o interesse em atuar com as temáticas do projeto. Caso tenha experiência prévia com o campo dos estudos de gênero e sexualidade, apresenta-la na mesma carta. Na carta, informar: nome completo, CPF, endereço e telefone.
2. Cópia do comprovante de matrícula do semestre vigente
3. Cópia do Histórico Escolar
4. Curriculum Vitae – no modelo do CV Lattes (este pode ser enviado posteriormente, caso ainda não tenha o currículo cadastrado na plataforma).



terça-feira, 17 de maio de 2016

"Como ser solteira"



O filme Como ser Solteira (Direção: Christian Ditter, 2016, Warner) fala sobre os significados de estar solteiro para homens e mulheres, reproduzindo alguns estereótipos que geralmente são associados aos/as solteiros/as. A personagem Alice (Dakota Johnson), uma adulta jovem, após o fim do seu relacionamento, inicia uma interação com a vida de solteira em Nova Iorque, junto à sua amiga Robin (Rebel Wilson), também adulta jovem, que é uma solteira declarada, gosta de baladas, bebedeiras, sexo casual e muita curtição. Robin demonstra uma imagem da mulher solteira, sem compromisso, irresponsável e que vive na balada. Além disso, as pessoas solteiras, no filme, são retratadas como pessoas que via de regra, buscam uma parceria amorosa, deixando de priorizar outros âmbitos da vida, como o trabalho. Robin, então, irá mostrar à amiga que acabara de se separar, “como ser solteira”.
A amizade de Alice e Robin se resume, a partir daí, à farra. Robin chega a dizer que não sai com a amiga quando esta tem namorado, porque ela “fica muito chata” (sic), ou seja, elas deixam de ir à balada, que é o seu programa preferido e onde busca encontrar homens para se relacionar casualmente. Outras solteiras que aparecem no filme são Lucy e Meg (irmã de Alice). Enquanto Lucy também se encaixa nessa busca de sexo casual, Meg tem como prioridade o trabalho, e, a princípio, não pensa em formar família, mas, apesar de negar, no filme, deixa-se entender que ela nutre dentro de si o desejo de ser mãe. No decorrer da trama, este desejo que ela tenta negar, se concretiza através de inseminação artificial. Esta mesma personagem escolhe a inseminação artificial porque opta por ser uma mãe independente. No entanto, ela termina por ser relacionar com um homem, a princípio casualmente, mas a relação se torna estável. Isto porque, comumente na mídia, o “final feliz” ainda é a constituição de família.
Um dos personagens masculinos é o também solteiro Tom, que era defensor voraz da solteirice, no sentido desta condição estar relacionada ao não compromisso com as relações amorosas. Inclusive, usava estratégias para que as mulheres não se apegassem a ele, como por exemplo, não ter água e nem comida em sua casa, de modo que após um encontro, não houvesse nenhum atrativo para permanecerem juntos. Do mesmo modo que a mídia tende a mostrar que as solteiras encontram seu par, o personagem Tom também se envolve em uma relação mais duradoura.
A solteirice é colocada majoritariamente no filme como algo transitório, como um momento de imaturidade. A exceção é Robin, que não pretende deixar de ser solteira, mostra-se ativa na busca pelo prazer sexual e casual. No entanto, é a personagem mais caricaturada e estereotipada sobre o que é ser uma mulher rica, solteira e sem compromisso, e que, como os homens, busca estratégias para encontrar parceiros sexuais. Apesar de ser rica, ela mantém um “trabalho” com a intenção de encontrar potenciais pessoas para transar, além de ficar mais próxima da amiga.
O final de Alice é o que mais surpreende no filme. Apesar de, no decorrer da trama, ela se relacionar com três homens, ela percebe que renuncia as suas vontades para agradar as pessoas com quem se relaciona, a não ser com Tom, com quem manteve uma relação estritamente sexual sem a pretensão de agradá-lo. Mostra-se insegura e pouco crítica quanto às relações amorosas porque, para ela, o mais importante é ter alguém ao seu lado. Porém, ao perceber que perde a sua identidade agindo desta forma nos relacionamentos, ela escolhe ficar sozinha e passa a aproveitar melhor o fato de estar morando só e realiza atividades de seu interesse, como por exemplo, fazer atividade física, ler e conhecer lugares novos. Ela descobre que é possível estar/morar sozinha e sentir-se feliz, trazendo um possível contraponto ao discurso midiático que vincula a felicidade das mulheres ao encontro de uma parceria amorosa (estável). No entanto, algumas contradições neste discurso midiático se apresentam no filme quando Alice se reporta à solteirice como uma condição que pode ser transitória, porque uma relação/união e possível casamento pode acontecer. O que chama atenção, contudo, é o fato de que o “final feliz” desta personagem não é um final romântico, e mesmo que isto possa parecer algo temporário, parece ser significativo.  
Espera-se que os diretores repensem a relação dicotômica que é posta: ou a pessoa fixa-se no trabalho, ou se dedica aos relacionamentos, sendo que é possível unir as duas coisas e, principalmente, possam explorar mais nos filmes o aspecto da solteirice também como uma escolha ou estilo de vida e não apenas uma fase.

(Texto escrito por Aline Pinheiro, Irani Santos e Samara Amorim. Supervisão: Darlane  Andrade)



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Apresentação de dados preliminares sobre o estudo da solteirice 2015-2016, em Seminário

O estudo sobre solteirice que está sendo desenvolvido no programa de iniciação científica da UFBA, com bolsa FAPESB, teve seus resultados preliminares apresentados no Seminário Estudantil Sementes, em 2015. 
Vivências socioafetivas de solteiros/as da nova classe média em Salvador: dados preliminares

Resumo: O objetivo principal deste estudo é identificar e conhecer práticas sociais e afetivas de homens e mulheres adultos/as, solteiros/as que moram sozinhos/as e pertencem à nova classe média em Salvador, identificando características socioeconômicas e costumes de classe, redes de relações sociais e afetivas, práticas em torno da sexualidade e projetos para o futuro, observando diferenças de gênero e orientação sexual. O fenômeno da solteirice na contemporaneidade atrelado ao aumento dos domicílios unipessoais, é resultante de um conjunto de transformações econômicas, sociais, culturais e comportamentais que vão se sucedendo ao longo do tempo, e que tem produzido variações nas vivências das pessoas, fazendo com que este fenômeno tenha múltiplos significados. O interesse em incluir as pessoas que pertencem à chamada nova classe média (classe C) como foco de estudo se dá porque pesquisas sobre a solteirice têm privilegiado as camadas médias e altas de grandes centros urbanos, portanto, as das camadas mais baixas merecem o mesmo privilégio para a compreensão de suas dinâmicas sociais. A nova classe média tem sido composta no Brasil pela parcela da população caracterizada pelo aumento da renda, o acesso à educação, ao crédito, a bens culturais e de lazer. O estudo se fundamenta em uma perspectiva analítica interdisciplinar e feminista das relações de gênero. Será utilizada uma metodologia mista, tendo questionários e entrevistas como instrumentos, tendo os dados analisados por análise de conteúdo. A proposta é acessar pessoas solteiras, de ambos os sexos, com idade entre 30 e 60 anos, que morem sozinhas e pertençam à nova classe média. Os dados dos questionários serão analisados com auxílio do programa estatístico SPSS, dialogando com dados das entrevistas biográficas a serem realizadas com pelo menos 4 sujeitos. Neste seminário serão apresentados dados acessados nos questionários até o momento, com análise do perfil socioeconômico, e do campo da afetividade: histórico das relações amorosas, práticas sexuais atuais e projetos para o futuro relacional.  


Integrantes: Darlane Silva Vieira Andrade - Coordenador / Aline Ataide Pinheiro - Integrante / Samara Santos Amorim / Irani Santos Silva  - Integrantes.

Para acesso a toda a programação do evento, clique:

Conversando sobre a solteirice

No dia 14 de agosto de 2015, dei uma entrevista para a rádio da Universidade Federal de Minas Gerais  (Rádio UFMG Educativa 104.5) dando um panorama geral sobre estudos acerca do tema e falando um pouco sobre as dimensões da solteirice para marcar o dia que se comemora a solteirice: 15 de agosto.

Entrevista com Darlane Andrade sobre a solteirice na sociedade e o dia dos(as) solteiros(as)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Imagens da solteirice pós-moderna

O prazer de ser solteira é ilustrado por uma artista mexicana, contrapondo as visões negativas sobre a solteirice feminina: "uma mulher rodeada de gatos, desesperada ou neurótica são alguns dos preconceitos associados a este estado civil. Esta é precisamente a ideia oposta que se revela em Solteirice pós-moderna" nas ilustrações da mexicana Idalia Candelas. As imagens mostram como a solteirice pode ser prazeirosa.

Fonte:
http://cribeo.lavanguardia.com/estilo_de_vida/9549/el-placer-de-la-solteria-femenina-ilustrado-por-una-artista-mexicana-arrasa-en-la-red





terça-feira, 1 de setembro de 2015

A solteirice em estudo (PIBIC/ UFBA 2015-2016) e questionário para solteiros/as

A pesquisa sobre solteirice vai ter continuidade no período de 2015-2016 dentro da Universidade Federal da Bahia, em grupo de pesquisa no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC, com apoio da Fapesb - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia. A equipe de pesquisa é composta por: Profa. Darlane Andrade (coordenadora), Aline Pinheiro, Irani Santos, Samara Amorim (estudantes da UFBA).

O objetivo principal do estudo atual é identificar e conhecer práticas sociais e afetivas de homens e mulheres solteiros que moram sozinhos e pertencem à nova classe média em Salvador. O estudo fará uso de instrumentos quanti e qualitativos para construção de dados, que serão dialogados com estudos sobre o tema realizados pela coordenadora da pesquisa e outros em diferentes contextos. 


Os critérios para participação são: Ter idade entre 30 e 60 anos, morar sozinho(a) em Salvador e ser solteiro(a), ou seja, não estar engajado(a) em uma relação de casamento/morar junto. 

Para participar, basta solicitar o questionário por email: pesquisa.solteirice@gmail.com ou responder o questionário online (copie e cole o link)


https://docs.google.com/forms/d/1UgvPrwtGSXqS7apeom2TOEF-_cYy1kcEp67YuX72ppw/viewform?usp=send_form